A primavera vem duas vezes

Preparava-me, no jardim, para arrancar os pés secos das favas, quando reparo que por baixo nasce um novo pé. Deixei-os florir e apanhei esta segunda dose inesperada e menor de favas. Como um arco-íris e sua réplica num dia de chuva.
Com vontade de fazer algo mais fresco que a receita clássica, peguei na salada de grão escondida neste post e adaptei-a às favas. Cozi-as em vapor na panela de pressão e temperei-as com cebola roxa picadinha, coentros, azeite, vinagre, flor de sal e pimenta. E foi um ver se t´avias.

Arroz de cabidela – quase – vegetariano

Falou-me a minha mãe um dia que há quem faça arroz de cabidela sem sangue e usando farinha de alfarroba para conferir a típica cor deste prato. Gostei da ideia, resolvi experimentar tentando retratar o arroz de cabidela da minha avó e gostei do resultado. Pus a ferver caldo de frango que tinha feito com os ossos da ave e alguns bagos de pimenta, uns quantos cravinhos e umas folhas de louro. Alourei meia cebola em azeite e juntei arroz de bago redondo, envolvendo bem na cebola e no azeite. Entretanto, numa tacinha, juntei uma colher de sopa de farinha de alfarroba com 2 colheres de sopa de vinagre e 2 cravinhos. Voltei para o arroz e fui juntando o caldo fervente enquanto aquele o bebia. Cozinhei o arroz durante cerca de 1o minutos, juntei a mistura de alfarroba e vinagre e um molhinho de “cheiro verde” picado. Deixei fervilhar mais uns minutos e apaguei o lume. O arroz ficou com bastante caldo, tendo eu cozinhado este prato numa razão de 1 medida de arroz para 4 de caldo. Levei à mesa e sublinho que esta versão de cabidela – que não é vegetariana mas que bem poderia ser – não fica nada aquém da versão mais violenta do prato com a galinha esquartejada e seu sangue.

O peixe da prússia pouco presta para primoroso palato português

Comprar peixe aqui na Prússia é sempre um problema. Quando me aproximo das raras bancas de peixe, lembro-me sempre das lotas do Algarve e só me apetece é fugir dali. Das últimas vezes que comprei peixe, escolhi bacalhau fresco. Da primeira vez comprei filetes, que fiz no forno em cama de legumes, temperado com limão e pimenta e no fim ralei parmesão e levei mais uns minutos ao forno para tostar. Teria ficado muito bom se o peixe não soubesse a re-descongelado… Da segunda vez, comprei meio bacalhau, mas desta vez perguntei se era fresco, se já tinha sido congelado, de onde vinha e quando chegou. As respostas da senhora atrás do balcão deixaram-me uma réstia de esperança. Pensei em fazê-lo simplesmente cozido com legumes e temperado com azeite e limão. Pus o peixe a cozer e comecei a duvidar das afirmações da senhora sobre a frescura do peixe… então decidi fazer duas saladas: uma, com as batatas e cenouras cozidas, a que juntei um pepino, temperei com muitos oregãos, azeite e vinagre. Outra, com o peixe desfeito em lascas, que temperei com muito limão, um alho bem picado, poejos frescos, azeite e pimenta. A primeira salada é uma variação de uma salada muito comum no Algarve (com batatas, tomate, cebola, oregãos, azeite e vinagre), que eu simplesmente adoro, especialmente quando o tempo começa a aquecer. E a salada de peixe ficou deliciosa. A repetir, algures à beira mar. Porque descobri que peixe na prússia é douradinhos.