todos à mesa

É um prazer podermos sentar-nos todos à mesa e comermos do mesmo tacho.Do mesmo tacho? Bem, quase. A verdade é que as crianças não querem muitos temperos e os adultos querem-nos. E eu quero temperado e bem picante! Para afirmar a ideia do tacho único, fiz hoje tomatada com batata cozida e ovos escalfados. E para colmatar o meu desejo pelo picante, fiz um pesto* bem temperado.

Piquei 5 metades de tomate seco, juntei um gole de água a ferver e outro de azeite. Seguiu-se uma colher de chá de sementes de coentros e outras duas de sumak. Piquei um ramo de salsa e três hortelãs (uma das quais, poejo) e juntei à mistura. Temperei a gosto com sal, pimenta e (muito) piripiri. Com a varinha mágica fiz “Plim!” e juntei à minha tomatada!

*adaptado de “Koch dich gluecklich”, de Volker Mehl

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Onde estás, Lua?

Foi alegre que hoje voltei a tirar a bicicleta da garagem. A neve desapareceu na noite e, ao amanhecer, um Sol de 6 graus brilhava num céu azul. Ao regressarmos a casa, com uma leve brisa de lusco fusco, e um céu onde começavam a chegar as primeiras estrelas, a minha filha perguntou-me: “mamã, on’e xtá a Lua”, “está ali, no céu, amor”, respondi, apontando para o satélite. “on’e xtá? on’e xtá?”, entre árvores e casas, a Lua cheia brincava connosco às escondidas. “Onde estás, Lua? Luuuuaaaa!! Onde estás?”, chamei, “Luuuuaaa, ‘xtamos ‘qui”, reforçou a minha filha, “a’na cá!!”. Ao avistar a Lua a espreitar por detrás de um prédio, disse: ” ’tá ‘qui, Lua, Lua bola, né mamã?”, “A Lua está cheia, amor, fica assim com a forma de uma bola”. E ao chegarmos a casa, a minha filha despediu-se da sua nova amiguinha de rua. “Casa ’tá aqui, adeus Lua!…”, “Até amanhã, Lua”, disse eu. A Lua banhou-nos com o seu luar e trouxemos para casa a brisa da Primavera. Que inspirou o jantar.

Cortei 3 batatas grandes em cruz e às fatias fininhas e pus numa frigideira com azeite. Cortei uma cebola aos cubinhos e meio pimento vermelho às tirinhas. Juntei e mexi tudo. Cortei meia curgete aos cubinhos e voltei a misturar. Temperei com sal, oregãos e sementes de coentro. Juntei um gole de água, baixei o lume e tapei. Ao fim de 5 minutos, as batatas estavam cozinhadas. Pus num prato de servir e voltei a por mais um fio de azeite na frigideira. Juntei algumas amêndoas picadas (inspirada pela Filipa) e meia dúzia de tomate-cereja. Fui agitando a frigideira até as amêndoas dourarem uniformemente. Misturei com os legumes, levei à mesa e disse à minha filha: “vamos para a mesa, querida, hoje a primavera vem jantar.”