À grega

Há uns tempos, uma amiga grega falou-me de uma receita (de família) de tomates recheados, enquanto me contava as estórias de terror que o povo grego hoje vive. Séculos antes de Cristo, quando os povos bárbaros andavam de chacina em chacina, sedentos de sangue, os gregos revolucionaram o modo de pensamento humano no mundo ocidental. A Grécia antiga foi o berço da civilização ocidental e hoje, o sistema capitalista que se impõe na Europa, não faz mais que renegar as suas origens.

Quando vi a receita da Fer de tomates recheados lembrei-me da receita da minha amiga e tentei improvisar.  Cortei tampas a cinco tomates, escavei-os com uma colher e reservei o seu interior. Pu-los em forno aquecido a 180 graus temperados por dentro com sal, azeite e manjericão picado. Triturei o recheio do tomate com um dente de alho e mais manjericão e, com este molho, cozinhei uma chávena de arroz, deixando-o ficar bem al dente. Piquei um cebolo e misturei com o arroz. Retirei os tomates do forno meia hora depois e recheei com o arroz e com quadradinhos de queijo, que eu queria que fosse feta, mas não foi porque não tinha. Com o arroz que sobrou. preenchi os espaços vazios da travessa que levou os tomates. Foi mais 15 minutos ao forno, até dourar. Foi uma refeição bem reconfortante. Mas neste momento de crise, precisamos de um pouco mais do que reconforto.

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Tarte rústica

Fiz esta tarte da Margarida, adaptando alguns ingredientes ao que tinha no frigorífico, e ficou maravilhosa!

Laminei uma curgete grande, cortei em pedacinhos pequenos um quarto de um pimento vermelho e um cebolo em fatias. Bati 4 ovos com 200 gr. de natas e 100 gr. de crème fraiche e juntei 2 fatias de queijo gouda cortado aos pedacinhos. Temperei com sal e pimenta e juntei os legumes à  mistura de ovos e natas. Desenrolei a massa folhada num tabuleiro redondo e distribui o recheio. Ralei parmesão e polvilhei generosamente toda a tarte. Levei a forno aquecido a 180 graus por cerca de 25 minutos. A costela prusssiana do  meu marido disse que, para ficar perfeita, faltava apenas um pouco de schinken. Hei-de experimentar a versão da Margarida, com pinhões e ricotta, e hei-de experimentar também com schinken. Algo me diz que esta tarte vai instalar-se por uns tempos na mesa da nossa casa!

Queijo para esquecer e para um aniversário

Tinha uma reunião muito importante. Pela qual esperei anos. Comecei a preparar-me no dia anterior, comendo um leve jantar. Fiz uma salada salada com canónigos,  queijo de nisa cortado em quadradinhos muito pequenos, pevides tostadas, óleo de pevide e maçã ralada.

No dia seguinte, acordei, dei os bons dias ao céu cinzento e frio que ameaçava lá fora, bebi um copo de água gigante, espreguicei-me longamente e, continuando a preparar-me para o grande dia, até uma sessão de yoga  na sala eu fiz.

Meia hora depois, estava à mesa para tomar o pequeno almoço lentamente: pão de centeio com sementes, tostado, barrado com mel, com queijo de cabra cremoso, quase a roçar o brie, e com pinhões por cima. A acompanhar, chá verde.

Fui para o trabalho. Às nove em ponto, bati à porta. A secretária disse-me: “entra”. Estranhei a pontualidade, mas quando vi o escritório vazio, compreendi. Ficámos à conversa, passaram 5, 10, 15, 20 minutos. Ela telefonou para o chefe.” A Sofia está aqui à tua espera”, ao que o chefe responde  “Ah, era hoje a reunião com a Sofia?! Esqueci-me completamente!!”. E eu pensei cá para comigo: “eu comi o queijo e tu é que esqueceste, ó chefe!”

Pois eu comi o queijo e não me esqueci nem da reunião nem do quinto aniversário do Cinco quartos de laranja!  Para a Laranjinha, aqui vai um jantar e um pequeno almoço com cinco ingredientes!