Conversas de vizinhas

Quero escrever no blog e dou por mim a repetir-me sobre os prazeres do meu éden. Por isso, poupo os meus caros leitores aos meus devaneios e vou directa ao assunto:
– E então, já tens courgettes?
– Ainda são pequenas.
– Olha, eu já não sei o que hei-de fazer às minhas. Toma lá umas quantas.
– Pois, temos que comer o que há. Quando a terra te dá courgettes…
– … tu fazes???
– Olha, faço “ketschup”!
– Ahn? Quero a receita.

Esta foi a surpresa de ontem, e não perdi tempo. Descasquei uma courgette gigante, retirei o meio, cujas sementes já estão demasiado duras para ignorar, seleccionei 750 gr e pus mão à obra. Gostei – adorei – o resultado e por isso partilho aqui convosco.
Refoguei a courgette com uma cebola em 4 colheres de sopa de azeite. Entretanto, pesei 100 gr de açúcar e medi 100 mL de vinagre de vinho. Limpei dois talos de lemongrass e cortei-os em quartos. Piquei 50 gr. de gengibre fresco e misturei tudo com mais duas colheres de chá de caril. Foi tudo para a panela de pressão. Enquanto ela não apitava, limpei dois ramos de manjericão e cortei-os aos pedacinhos. Peguei em 3 chillis, um de cada cor, e cortei-os muito fininho. Quando apitou, desliguei, abri a panela e retirei os talos de lemongrass. Juntei o manjericão e triturei tudo com a varinha mágica. Achei demasiado chilli, portanto fiquei-me pela metade. Juntei à massa amarela e deixei dar mais uma fervidela, mexendo sempre. I can´t get enough of it.

À grega

Há uns tempos, uma amiga grega falou-me de uma receita (de família) de tomates recheados, enquanto me contava as estórias de terror que o povo grego hoje vive. Séculos antes de Cristo, quando os povos bárbaros andavam de chacina em chacina, sedentos de sangue, os gregos revolucionaram o modo de pensamento humano no mundo ocidental. A Grécia antiga foi o berço da civilização ocidental e hoje, o sistema capitalista que se impõe na Europa, não faz mais que renegar as suas origens.

Quando vi a receita da Fer de tomates recheados lembrei-me da receita da minha amiga e tentei improvisar.  Cortei tampas a cinco tomates, escavei-os com uma colher e reservei o seu interior. Pu-los em forno aquecido a 180 graus temperados por dentro com sal, azeite e manjericão picado. Triturei o recheio do tomate com um dente de alho e mais manjericão e, com este molho, cozinhei uma chávena de arroz, deixando-o ficar bem al dente. Piquei um cebolo e misturei com o arroz. Retirei os tomates do forno meia hora depois e recheei com o arroz e com quadradinhos de queijo, que eu queria que fosse feta, mas não foi porque não tinha. Com o arroz que sobrou. preenchi os espaços vazios da travessa que levou os tomates. Foi mais 15 minutos ao forno, até dourar. Foi uma refeição bem reconfortante. Mas neste momento de crise, precisamos de um pouco mais do que reconforto.