O muffin que nunca o foi

Queria fazer um bolo de chocolate para uma festa de infantário. Já com tudo a postos para começar a preparar o bolo, fui buscar o chocolate para derreter. Chocolate? Prateleira vazia. Então. decidi fazer a receita milagrosa de muffins da Nigella. Liguei o forno a 180 graus. Bati 2 ovos com 125gr. de açúcar integral até obter uma espuma esbranquiçada enquanto derreti 125 gr. de manteiga. Juntei a 125 gr. de farinha, uma colher de chá de fermento e meia de bicarbonato de sódio. Tentei alternar a farinha com a manteiga na mistura de ingredientes, mas a minha filha juntou tudo de uma vez, dizendo, “Mamã, assim também pode ser!”. E foi. Adicionei um gole de leite. Fui buscar as forminhas de muffins, mas não as encontrei. A princesa, disse: “E porque é que não usas este papel cortado aos bocadinhos?”, apontando para o papel de forno. Eu disse à minha filha: “que boa ideia!, mas e que tal se fizéssemos um bolo com nectarinas?”. Assim, em vez de cortar o papel, cortei nectarinas e o papel forrou uma forma de 20 cm. As nectarinas ficaram em baixo e a massa por cima. Foi ao forno durante cerca de 25 minutos. Bendita a hora em que o chocolate evaporou a as forminhas voaram do meu armário. 

Queijadinhas de leite

Esta receita deu-me uma amiga já por duas vezes. “Tens que fazer, é super simples e mesmo bom”, disse-me ela. Apontei num papel solto que acabou por se perder no meio do caos reinante. “Já experimentaste as queijadas?”, perguntou quando voltámos a falar. “Ainda não”. E depois contou-me o sucesso que elas sempre fazem, voltando a frisar a facilidade da sua confecção. Então decidi que seriam a sobremesa do “Convidei para jantar”. A massa prepara-se em menos de 10 minutos: bati 3 ovos com 150 gr. de açúcar (baunilhado), juntei 120 gr de farinha, meio litro de leite e 50 gr. de manteiga derretida. Misturei e distribui por forminhas de queques (atenção, a massa fica muito líquida, por isso aconselho o uso de um tabuleiro de queques ou 2 forminhas de papel por cada queijadinha). Enchi as forminhas até bem acima e levei ao forno a 170 graus até estarem cozidas e douradinhas por cima, cerca de 20 minutos. São muito boas, rápidas e fáceis. De fazer e de comer. A minha filha comeu duas de uma vez.

 

Arroz doce

No domingo passado acordei com um arrebatador desejo a arroz doce, sendo ele e não a minha madrugadora filha que me arrancou dos lençois. Eu confesso que nem sou grande fã de arroz doce, mas vi-me cercada por esta vontade de arroz doce e não tive outro remédio se não dirigir-me à cozinha e prepará-lo para o pequeno almoço. Sendo ainda muito cedo para telefonar à minha mãe ou à minha avó e pedir a receita, decidi consultar a minha outra bíblia culinária. Fui ao Pantagruel e escolhi a receita mais curta, em ingredientes e metodologia. Àquela hora da manhã só algo simples poderia resultar. E segui a receita à letra. Fervi 150 g arroz gomoso (usei risotto) em 6 dL de água até a água evaporar e mexendo de vez em quando. Fervi 4 dL de leite, que fui juntando aos poucos ao arroz, conforme este ia absorvendo o leite. Entretanto, bati 3 gemas com 115 g de açúcar (que se revelou demais) e, quando o arroz ficou pronto, retirei do lume e juntei-lhe os ovos , misturando bem para não talhar. Distribuí por taças e a minha filha, já desperta, artisticamente e como só ela sabe fazer, polvilhou a canela pelo arroz, contemplando também a mesa e o chão. Quando ouvi os seus “mmm, mmm, que bom!”, pensei que tinha acertado na receita, mas afinal as manifestações de agrado dirigiam-se à canela, que ela ia tirando do frasco com o seu dedinho. Afinal, a minha filha provou o arroz doce e rejeitou-o e o meu marido nem sequer o provou, talvez por pensar ser parecido ao arroz doce bárbaro, a que eles chamam arroz de leite e servem com compotas. Apreciei eu este belo arroz, a sós com o meu desejo, apesar de para a próxima fazer algumas alterações. Corto no açúcar e fervo uma casca de limão e umas folhas de bela luísa no leite. Não sei como me fui esquecer da casca de limão, ingrediente essencial no arroz doce da minha família.

Chocolate quente para o frio

Como se distingue um prusso de um russo, quando as suas cabeleiras são ambas russas?

Um prusso, aos -4 º C, põe uma carapuça. Um russo não põe carapuça, abanando a cabeleira russa! E esta lusa que vos fala, enfia literalmente duas carapuças. Mas uma delas, enfiei-a ao próprio frio! Isto, fazendo um chocolate quente, adaptado da Laranjinha.

Num pequeno almoço longo de Sábado, sem vontade de café nem chá, decidi fazer chocolate quente e espesso. E decidi não adiar mais o inevitável, fazendo esta receita da Laranjinha que, quando vi, soube que tinha que fazer! Mas adaptei, porque era de manhã e não me apetecia começar o dia com um gole de conhaque e piripiri, mesmo que escondido no chocolate.


Comecei aquecer o 200 mL de leite, aromatizado com açúcar baunilhado, cardamomo, canela e uma pitada de noz moscada. Ao levantar fervura, baixei a temperatura do bico do fogão e juntei 50 gramas de chocolate negro com 85% de cacau, partido em pedacinhos. Mexi até incorporar bem e deixei cozinhar mais um pouco, mexendo sempre. Pus numa chávena, e antevendo um dia enérgico, juntei uma colher de sopa de leite em espuma e um shot de espresso. E ficou delicioso! O meu marido, que rejeitou a ideia de chocolate quente, provou e disse que sabia a Natal.