Couscous, azeitonas e queijo feta

Esta estória começa com um frasco de azeitonas. Encontrei-as numa loja, que não é realmente “loja”, porque os preços reflectem só e apenas, os custos reais de produção, transporte e despesas da loja. Mas esta estória pertence às azeitonas: pretas, portuguesas, conservadas em azeite e ervas e produzidas por métodos artesanais. Quando delas sobraram apenas os caroços e azeite, pus-me a pensar o que faria com o líquido dourado. Abrindo o frigorífico, foi o quejo feta que me disse o que fazer: Cortei-o em cubinhos pequenos e pu-los no frasco já sem azeitonas. Juntei também uma malagueta porque não consigo dizer não a um sabor mais picante e fechei o frasco. Se calhar devia ter esperado uns dias antes de voltar a abri-lo, mas não resisti. Usei o queijo em saladas, por cima de um pão, cuja estória há-de aqui chegar e, por último, em couscous. E assim chegamos ao fim da estória: Fiz um refogado com tomate, beringela, pimento vermelho, courgete e a tal malagueta, porque … já sabem. Virei-me para os couscous: pus uma chávena dos cereais em duas de água a ferver e algum sal e, quando o refogado ficou pronto, misturei tudo. E juntei o resto do queijo feta a tudo isto. Foi um almoço memorável. Até a minha filha mais nova provou e quis mais, rejeitando as papas próprias para a sua idade. O que vale é que a malagueta era fraca.

Boa Páscoa

Na Páscoa, come-se pão doce e eu fiz um bolo salgado.Imagem

Bati muito bem 3 ovos, até fazer uma espuma esbranquiçada. Juntei 1 dL de óleo e continuei a bater. E mais 100 mL de leite, batendo agora suavemente. Depois pus 180 gr de farinha e uma pitada de fermento. Deixei-a cair em chuva, enquanto envolvia com a colher de pau. Entretanto, já tinha cortado meio pimento vermelho e um queijo feta. Com uma mão cheia de azeitonas, sal e pimenta, foram para a massa. E a massa foi para forma de bolo inglês forrada a papel vegetal. E a forma foi para forno aquecido a 180 graus.

Desejo uma boa Páscoa a todos os leitores do reino. E uma proveitosa caça aos ovinhos que os coelhinhos andaram a pôr por esses prados fora.

Chucrute sem salsicha

Eu confesso: o título que eu queria dar a este post era “restos de couve fermentada”, mas depois pensei que poderia causar náuseas ao leitor mais sensível e eu não quero que os meus queridos leitores padeçam de qualquer maleita por visitarem o Reino da Prússia. Depois pensei num título como “bulgur em arte de risotto, com calda de chucrute e aroma de zimbro”. Mas… não este título não faz a minha praia. Depois, inspirada no blogue da Fer, dei então o título a este prato que reciclou o caldo de uma refeição de chucrute, não com salsicha, mas com algo como costeletas de porco fumadas. Esta receita é do meu marido e eu confesso que ele teve que fazê-la várias vezes até eu saltar a barreira psicológica de comer couve fermentada. Bom, na verdade, teve que dizer-me que esta couve fermentada, sauerkraut, em português, é chucrute. A provar que os rótulos importam nos complexos esquemas de selecção do cérebro humano.

O meu marido cozinhou o chucrute como a receita dita (bom, quase!) e o seu caldo tão aromático iria para o lixo se eu não tivesse ouvido um apelo, um chamamento ou uma voz do além a dizer “risooootto… riiiiiiiisotto!”. Bom, mas o risotto não estava no meu armário. Então tirei o pacote de bulgur e cozinhei-o como risotto. Fritei uma cebola e um dente de alho em azeite e, ao saltitarem, juntei uma medida de bulgur, mexi e juntei uma colher de concha do caldo de chucrute a ferver. Juntei meia dúzia de bagas de zimbro e deixei que o bulgur absorvesse o caldo. Repeti o processo até que o bulgur absorvesse as duas medidas de caldo e, com a última dose, juntei um frasco de espargos em conserva. Mexi, desliguei o bico do fogão, juntei um queijo feta desfeito, pimenta e um pouco de tomilho e salsa.

Provámos o prato, provando que a reciclagem de alimentos produz pratos de grande qualidade – basta olhar para pratos tradicionais portugueses como as migas e açordas, os rissóis e pastéis de bacalhau, a roupa velha, que são deliciosos e resultam da reciclagem de outros pratos ou ingredientes.

Com este prato, participo no desafio do Delícias e Talentos, desafio de culinária reciclada. Considero este desafio de grande valor, porque a reciclagem de alimentos diminui o consumo desnecessário de alimentos, poupando a natureza e a carteira. Como omnívora, tenho um grande respeito pelos alimentos, diria mesmo um respeito “divino”. E já que para sobrevivermos temos que nos alimentar de outras vidas, que o façamos com respeito e utilizemos os ingredientes até ao seu tutano. Quando deitamos comida ao lixo, na perspectiva ambiental e económica, estamos a estimular a economia alimentar de grande escala, que é extremamente poluente em várias vertentes:  no uso desenfreado da terra com produções intensivas de monocultura, no abuso de pesticidas, no tratamento e embalamento desnecessários… e estamos a gastar mais dinheiro; na perspectiva humana, acho que deitar comida fora é uma falta de respeito por aqueles que não a têm. Eu sei que as sobras do meu jantar não vão matar a fome de quem a realmente tem, mas com a atitude “reciclagem” em mente, o saldo “comida” torna-se mais positivo e, quem sabe se a comida que nós não comprámos numa grande cadeia de supermercados, não irá parar às mãos de alguém com fome? (se bem que há comida suficiente no mundo para não haver fome, simplesmente está mal distribuída). E a “grande cadeia de supermercado” leva-me a outro ponto de extrema importância – felizmente, hoje, damos mais valor ao comércio tradicional e aos produtos regionais e sazonais, de preferência da horta. Espero que a ideia de hortas e quintas comunitárias cresça entre os habitantes das cidades ao ponto de fazer impacto na nossa vida do dia a dia.

Por isso, caro leitor, se quiser aumentar a sua qualidade de vida, opte por reciclar as sobras dos seus alimentos, opte pelo comércio tradicional bem como pelos produtos regionais e sazonais e, caso não tenha acesso a produtos hortícolas directamente do produtor, informe-se sobre as hortas comunitárias. Apanha três coelhos com uma cajadada: gasta menos, polui menos e aumenta o contacto com a natureza e com a sua vizinhança.

nota: visite a tag reciclagem e migas e açordas para ver outras refeições que fiz a partir de anteriores.

pumpkin strudel


Hoje, reparei que pela blogosfera se comemora o dia mundial da massa. Talvez a massa se resuma a macarrão, e assim sai a minha comemoração ao lado. Não se resumindo, trago a esta celebração uma massa que não vem de Itália. É um strudel de espelta e uma refeição ideal para um jantar de Outono. E o artista que compôs esta bela obra foi o meu marido.

 

E ele fez assim: Juntou 300 g de farinha de espelta com meia colher de chá de sal, 4 colheres de sopa de óleo de girassol e 3 gemas de ovo. Foi adicionando água fria até a massa ficar elástica e dividiu em quatro porções.

Deixou a massa e dirigiu-se ao recheio: Refogou cebola em azeite e pimenta moída na hora, juntou meio quilo de  abóbora hokkaido cortada aos cubinhos e, quando ficou al dente, juntou 300 g espinafre e 200 g de queijo feta esfarelado. Temperou com sal, noz moscada e ervas frescas.

E voltou à massa: pôs bastante farinha na bancada e esticou cada bola com o rolo da massa (tb. enfarinhado) e dividiu o recheio pelas quatro porções de massa. Depois, ao tentar enrolar o strudel, levantou a grande questão existencial: “porque é que experimento sempre novas receitas quando temos convidados?!” e eu sosseguei-o dizendo “tasse bem…”, que a sua grande criação estava no caminho certo. Então, ele  uniu as pontas da massa em vez de enrolar utilizando o típico processo de enrolar tortas. Assim fez e, para finalizar, pincelou a massa com azeite e ovo batido.  Foi ao forno a 180 graus por cerca de 30-40 minutos e ficou mais que perfeito.