Caíu que nem ginjas

A noite caíu, a pequenina adormeceu. E eu teria caído no sofá sem me querer mexer mais, se  três ingredientes não estivessem em órbita no meu pensamento: mascarpone, vinho do porto e chocolate. Caí na cozinha. Pus numa taça 200 g de mascarpone, 1 c.s. de açúcar baunilhado e 2 c.s. de açúcar. Bati com a vara de arames. Num cálice, pus 2 colheres de chá de chocolate e enchi com vinho do Porto. Misturei, mexi bem e salpiquei com amêndoas picadas. Provei e levitei.

spaghetti «ponha o seu título aqui»

 

A receita de spaghetti que vem da bela localidade de Bolonha é, aqui em casa, tão insistentemente adulterada sem remorsos nem tabus, que já nem lhe chamamos spaghetti bolognese. É uma das refeições favoritas da minha filha (ex-aequo com o peixe cozido) e, para além deste factor de grande peso na decisão do jantar de cada serão, é versátil, fácil de confeccionar e pode ser bastante saudável.

Ontem, tivemos a visita de uma amiga e seus 2 gémeos (de 4 anos). Fomos para o parque saltar no trampolim, brincar na areia, escorregar, correr, escalar a torre do parque aventura, escorregar ainda mais e então reparámos que escureceu. Viemos para casa, com o desejo de um prato quente e reconfortante, que abraçasse o nosso estômago estiraçado pela fome e que expulsasse o frio que imperava lá fora e teimava em entrar pela nossa pele adentro.

Enquanto a minha amiga brincava com os três pequenotes, fui para a cozinha. Um segundo de introspecção bastou para saber como haveria de nos reconfortar a todos com uma refeição quente e substancial. Aqueci e triturei uma sopa que a minha mãe deixou feita (cebola, cenoura, abóbora, nabo , uma batata, sal e azeite). Pus água numa panela e, enquando esperava que esta fervesse, abri uma lata de tomate inteiro em conserva, esmigalhei-o com os dedos e pu-lo numa frigideira com um fio de azeite e um cebolo em tirinhas, já que cortar e picar cebola demoraria muito tempo. Cortei 5 cm de chouriço em cruz e às fatias e juntei ao tomate. Entretanto fervia a água:  juntei o esparguete, alguma gordura e o sal (junto sempre o sal quando a água já ferve, pois aumentando o sal a densidade da água, a sua adição aumenta também o tempo que esta demora a atingir o ponto de ebulição). Deixei o molho de tomate cozinhar em lume brando os 12 minutos que a embalagem de esparguete recomendava para a sua confecção e piquei algumas folhas de manjericão, por ser a erva fresca que estava mais à mão. O esparguete foi para uma tigela grande de servir, juntei o molho de tomate, mexi e polvilhei com o manjericão picado.

A ideia desta receita é criar um prato saboroso com ingredientes básicos que normalmente estão  sempre na despensa (esparguete, tomate em lata), combinar o que houver no frigorífico com uma erva fresca dos vasinhos da varanda e ter uma refeição na mesa que demora tanto tempo a preparar quanto o tempo necessário para cozinhar o esparguete. Carne picada com salsa ou peixe com coentros (esta fica mesmo boa!) são outras combinações possíveis! Deixem a imaginação fluir! 😉

ps: com esta receita participo no desafio da Argas, receitas rápidas para o dia a dia!

Ricotta espresso

Andava aqui às voltas no google e a procurar nos blogues do costume, mas não me conseguia decidir. Queria fazer uma sobremesa com ricotta e não tinha ideia como. E hoje queria uma sobremesa. Express!  Voltei ao google e aos blogues do costume e nada. Fui ao capítulo de bolos de chocolate de um livro de culinária e, enquanto trincava uns quadradinhos do dito, pensava que qualquer uma daquelas receitas serão para experimentar. Mas não neste serão. Foi quando voltei ao google e vi uma receita da mafalda pinto leite de bolos de chocolate e mirtilos com queijo fresco, que eu descobri o que ia fazer este serão para acalmar as minhas reservas vazias de energia, dilacerantes de tão vazias, consequência de um belo dia de verão passado de parque infantil em parque infantil.

A razão tem razões que a razão desconhece e, depois de ver a tal receita, lembrei-me de uma sobremesa simples e enebriante que comemos em Creta há algum tempo, sugestão do chefe. Ainda duvidámos que algo à partida tão banal como iogurte e mel pudesse constituir algo tão  soberbo como o grego que nos servia nos fez acreditar. E soberbo foi pouco para descrever a combinação perfeita de texturas e sabores do iogurte grego com mel de creta. Less is more.  Não tinha o iogurte grego, mas tinha a ricotta, não tinha o mel de creta mas tinha outro do alentejo. peguei numa chávena de espresso, pus 2 colheres de chá de ricotta, 1 colher de café de mel e polvilhei com cardamomo. mmm!… não sei se foi da necessidade gritante de açúcar, se foi da combinação de sabores, mas este ricotta espresso transformou-se em ricotta 2 vezes espressi. E depois lembrei-me que se calhar com 2 gotas do teu aperitivo/digestivo favorito também não seria nada mau. Ah, such a perfect day!

Raviolis express

Há dias assim, em que sinto uma certa alergia ao fogão. Nestes dias, enquanto estou mergulhada na indecisão sobre o que fazer para o jantar, os factores decisivos são a rapidez e facilidade de confecção. Por vezes, até cozinhar esparguete me parece demorado e complicado! Mas não é e, quando a alergia ataca, o que fazemos é mesmo massa. No mercado, compramos sempre raviolis frescos ao italiano para contornar os dias assim. Basta ferver água, juntar os raviolis e deixar cozinhar 2 a 3 minutos! Se estiver mais inspirada, aqueço um bocadinho de azeite numa frigideira onde alouro dois ou três dentes de alho picadinhos, pimenta moída na hora e algumas ervas frescas do jardim e envolvo os raviolis, como fiz aqui. Da última vez que um destes dias nos brindou com a sua presença, dei por mim a pensar: “fazer esparguete demora tanto tempo, um ovo a estrelar precisa de tanta atenção… ai, o que fazer para o jantar? ah! os raviolis!”

Fervi água, mergulhei os raviolis, 3 minutos depois pesquei-os com a rede, cortei em quartos e oitavos uns tomates cereja que tinham que ser consumidos, fui apanhar uns raminhos de salsa, piquei, reguei com azeite, ralei parmesão, moí pimenta preta e salpiquei com sal. O resultado foi de tal modo satisfatório que a alergia ao fogão (quase que) me passou e resolvi fazer uma sopa express com a água onde as massas cozinharam. Juntei uma mão cheia de couscous à água, caldo de legumes e mais salsa picada e deixei repousar. A sopa não ficou atrás dos raviolis mas não chegou a tempo da sessão fotográfica.

Spaghetti Aglio, Olio e Peperoncino

A minha filha adora esparguete a bolonhesa. Devora com um apetite voraz a sua porcao. Devora, deixando as marcas do seu apetite na mesa, na cadeira e no chao. E no cabelo. E na roupa. Dela e minha. A hora da refeicao la em casa e uma festa. Daquelas que deixam muito para limpar a seguir. Bom, eu tambem adoro esparguete a bolonhesa, mas confesso que ultimamente nao quero nem cheira-lo! Ontem ao almoco, enquanto o esparguete borbulhava e a carne, a cenoura e o tomate cozinhavam lentamente, rapidamente descasquei uns dentes de alho. Pus azeite na frigideira com os alhos cortados em fatias finas e uma malagueta desfeita. Deixei alourar levemente. Quando o esparguete cozinhou al dente, escorri e pus a minha porcao na frigideira com o alho e a malagueta e temperei com sal e pimenta. Mexi ate o esparguete abracar os alhos no azeite e adquirir um dourado muito leve, quase imperceptivel. Fomos para o “festim do almoco” e eu deliciei-me com  este prato, que comi enquanto o diabo esfregou o olho. Depois foi a vez da minha anjinha esfregar o olhinho e pedir caminha para dormir a sestinha!… (e uma sestinha era agora para mim uma dadiva dos deuses! mmm, acho que vou ler aquele artigo que esta na lista “to read” ha tanto tempo e virar a cadeira para a porta. Ate ja… zzz…)

Sopa de ovo e tomate

Hoje tinha vontade de migas com ovo a cavalo. Pensando nos ingredientes, fui fazendo um check mental ao que tinha e tudo indicava que desta vez nada ia falhar na confeccao das migas. Tinha pao duro, coentros, ovo e um caldo de peixe. Ao por maos a obra, verifiquei que o pao duro ja estava a criar outras vidas em si e nao me apetecia muito “migas al funghi”. Entao num curto brainstorming comigo mesma, decidi fazer uma sopa com o caldo de peixe e legumes que tinha de um jantar de bacalhau para os amigos, sobre o qual hei-de falar nos proximos episodios. Pus o caldo a ferver, juntei as codeas que se salvaram da invasao dos fungos cortadas aos cubinhos, miguei 3 tomates, juntei um ovo cru e fi-lo em farrapos. Desliguei o fogao e juntei os coentros conservados em azeite. Agora estou a espera que arrefeca, mas este divino aroma que vem da cozinha nao engana.