curgete – meatless monday

O que fazer com 3 curgetes de 2 kilos cada? Foi o que trouxe hoje do jardim, mais uma barrigada de cerejas.

Dei uma à minha vizinha da horta, ela deu-me ideias de como “esconder” a curgete das crianças e disse: “temos que comer o que há!”. É daquelas verdades. Mas eu hoje não quis esconder a nossa primeira curgete. Virei-lhe todos os holofotes, exacerbando a sua simplicidade. Cortei-a em fatias grossas e fritei-as em azeite. Depois, temperei com sumo de limão e flor de sal.

Na mesa: A minha filha mais velha diz que não quer com voz enjoada e a mais nova imita a irmã sem perceber sequer o que está a dizer. A refeição chega ao fim e apesar dos exagerados “mmm, que bom” que eu insisti em dizer, nada as demove. No fim, a minha filha quer sobremesa. “Sem teres acabado de comer tudo?!?!”. “Prova só, sabe a bife.”, “e podes por sal e limão”. Assentiu, pedindo a fatia mais pequena. Flor de sal. Limão. Comeu e eu perguntei: “Então, sabe a bife grelhado ou não sabe??”. Ela confirmou e pediu outra fatia, a maior. A minha filha mais nova disse: “I au, a maió!!”, e dei-lhe a outra fatia.  Mas, apesar da vontade de imitar a irmã mais velha, a fatia de curgete a saber a bife não entrou no portão, nem com a irmã a dizer “olha o aviãozinho”. 

Aqui há peixe

Aqui na Prússia também há bacalhau. Compro-o fresco congelado. Se os prussianos pudessem caracterizar esta receita, chamar-lhe-iam “peixe à mediterrâneo”. Para mim, os pratos mediterrâneos são diferentes e este é apenas peixe com legumes. Refoguei curgete em azeite, com cebola e pimentos vermelhos numa frigideira. Noutra, fritei a posta congelada do bacalhau – este foi um prato espontâneo, sem tempo de descongelar o peixe – em azeite, até ficar dourado por fora e suave por dentro. Acompanhei com pão numa refeição solitária que me fez indagar o porquê de peixe+curgete=mediterrâneo na linguagem prussiana. Fiquei sem resposta mas apreciei o prato que, no fundo, acaba sempre por me levar a Portugal.

Tarte rústica

Fiz esta tarte da Margarida, adaptando alguns ingredientes ao que tinha no frigorífico, e ficou maravilhosa!

Laminei uma curgete grande, cortei em pedacinhos pequenos um quarto de um pimento vermelho e um cebolo em fatias. Bati 4 ovos com 200 gr. de natas e 100 gr. de crème fraiche e juntei 2 fatias de queijo gouda cortado aos pedacinhos. Temperei com sal e pimenta e juntei os legumes à  mistura de ovos e natas. Desenrolei a massa folhada num tabuleiro redondo e distribui o recheio. Ralei parmesão e polvilhei generosamente toda a tarte. Levei a forno aquecido a 180 graus por cerca de 25 minutos. A costela prusssiana do  meu marido disse que, para ficar perfeita, faltava apenas um pouco de schinken. Hei-de experimentar a versão da Margarida, com pinhões e ricotta, e hei-de experimentar também com schinken. Algo me diz que esta tarte vai instalar-se por uns tempos na mesa da nossa casa!

Onde estás, Lua?

Foi alegre que hoje voltei a tirar a bicicleta da garagem. A neve desapareceu na noite e, ao amanhecer, um Sol de 6 graus brilhava num céu azul. Ao regressarmos a casa, com uma leve brisa de lusco fusco, e um céu onde começavam a chegar as primeiras estrelas, a minha filha perguntou-me: “mamã, on’e xtá a Lua”, “está ali, no céu, amor”, respondi, apontando para o satélite. “on’e xtá? on’e xtá?”, entre árvores e casas, a Lua cheia brincava connosco às escondidas. “Onde estás, Lua? Luuuuaaaa!! Onde estás?”, chamei, “Luuuuaaa, ‘xtamos ‘qui”, reforçou a minha filha, “a’na cá!!”. Ao avistar a Lua a espreitar por detrás de um prédio, disse: ” ‘tá ‘qui, Lua, Lua bola, né mamã?”, “A Lua está cheia, amor, fica assim com a forma de uma bola”. E ao chegarmos a casa, a minha filha despediu-se da sua nova amiguinha de rua. “Casa ‘tá aqui, adeus Lua!…”, “Até amanhã, Lua”, disse eu. A Lua banhou-nos com o seu luar e trouxemos para casa a brisa da Primavera. Que inspirou o jantar.

Cortei 3 batatas grandes em cruz e às fatias fininhas e pus numa frigideira com azeite. Cortei uma cebola aos cubinhos e meio pimento vermelho às tirinhas. Juntei e mexi tudo. Cortei meia curgete aos cubinhos e voltei a misturar. Temperei com sal, oregãos e sementes de coentro. Juntei um gole de água, baixei o lume e tapei. Ao fim de 5 minutos, as batatas estavam cozinhadas. Pus num prato de servir e voltei a por mais um fio de azeite na frigideira. Juntei algumas amêndoas picadas (inspirada pela Filipa) e meia dúzia de tomate-cereja. Fui agitando a frigideira até as amêndoas dourarem uniformemente. Misturei com os legumes, levei à mesa e disse à minha filha: “vamos para a mesa, querida, hoje a primavera vem jantar.”