Ramequim, ramequim

Este fim de semana, repetiu-se o cenário do take “bolo de clementinas“: o marido trata das bicicletas, a filha dorme a sesta e esta fada do lar resolve fazer um doce. Por coincidência também inspirada nas Three Fat Ladies. Desta vez resolvi experimentar os ramequins de chocolate, receita que me ficou no goto. Segui a receita à letra, apesar de saber que não iriam sair ramequins nenhuns, pois não tenho as formas apropriadas. Pensei então em fazer “ramuffins”, colocando a massa dos ramequins, com o devido quadradinho de chocolate no meio, em formas de muffins. Derreti 120 gr de chocolate negro 70% com um nó de manteiga. Entretanto, juntei 3 ovos a 80gr de açucar e uma colher de farinha. Adicionei o chocolate derretido a esta massa e envolvi. Aqueci o forno a 210 graus. Quando ia buscar as formas de muffins dei-me conta da minha grande ingenuidade na cozinha. As formas de silicone, ao receber a massa, perderam a sua forma. Então, para salvar a situação, coloquei a massa de chocolate e os quadradinhos de chocolate na tigela onde faço as tigeladas. Foi a forno quente a 210 graus por cerca de 10-15 minutos e saíu de lá não um ramequim, nem um “ramuffin” mas um belo e saboroso “ramecão”!

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Mousse de Chocolate

Na semana passada, fomos a uma festa de aniversário de uma amiga e eu ofereci-me para fazer uma mousse de chocolate. Derreti o chocolate com um gole de azeite em lume brando, enquanto a máquina batia 4 claras em castelo. Juntei as quatro respectivas gemas com quatro colheres de açucar e, por fim, envolvi o chocolate levemente até homogeneizar e levei ao frigorífico.

Quando chegámos, havia tanta comida que eu pensei que o melhor era ter deixado a mousse em casa para um momento mais íntimo. É que eu tenho uma relação muito estreita com o  chocolate. Tão estreita, que por vezes o meu marido nem consegue interpor-se entre a tablete e a minha dentada. Quando se trata de dar uma trinca a um belo chocolate amargo 70%, posso até ser mais rápida que a minha sombra. E quando o meu marido no Natal recebe chocolates, eu agradeço sempre, aprecio a simpatia e ele só lhes vè a sombra. Mas voltemos à festa: a minha bela mousse permaceceu na sombra, pois as luzes da ribalta apontavam para um maravilhoso bolo de chocolate e morango. Eram três andares recheados de morango e cognac e por fim com uma cobertura de chocolate. Esta combinação levou-me ao céus! Em três tempos desapareceram três fatias do meu prato, e só não desapareceram mais porque a aniversariante e chef que produziu esta delícia também tinha o direito a uma fatiazita. No dia seguinte, acordei a pensar neste bolo e, assim que tiver a receita, ponho as mãos na massa!

Bolo de chocolate e piripiri.

Fui assaltada por uma ideia que nao me largou ate materializar o etereo em fisico palpavel. Depois das ferias de natal, cheguei a casa com a determinacao de fazer bolo de laranja, receita da avo, como deve ser. Com os ingredientes no cesto das compras, a laranja da horta da avo e cada passo da confeccao do bolo em mente, nada poderia dar errado. Nada, se de repente nao me tivesse vindo a ideia um chocolate com piripiri que bebi em Portimao numa chocolateria, que tambem e bar, cafe e livraria. Entao pensei: “vou fazer bolo de chocolate com piripiri, usando a receita original do bolo de laranja mas substituindo o sumo da laranja por chocolate e adicionando uma malagueta”. O bolo de laranja dita: bater 5 claras em castelo, adicionar lentamente 250 mL de acucar (uma caneca de leite), depois as gemas tb lentamente. Adicionar 2 dL de oleo. Juntar 375 mL de farinha com fermento, alternadamente com o sumo e raspa de uma laranja e mexer so ate homegeneizar. Colocar em forma untada com manteiga e polvilhada com farinha e levar a forno lento por 35 minutos.

Comecei por derreter o chocolate com um gole de azeite com umas pedrinhas de flor de sal, pois lembrei-me que uma vez a comer mousse de chocolate, o meu tio realcou a combinacao azeite-sal-chocolate. Desfiz uma malagueta pequena e acrescentei ao chocolate. Pus as claras a bater na maquina, adicionei metade do acucar original, as gemas, a farinha e depois de arrefecer um pouco, o chocolate. O chocolate ficou bastante consistente, pelo que cortei a farinha em metade. Foi ao forno a 150 graus por 45 minutos e foi dificil esperar que arrefecesse o suficiente para provar. O meu marido estava ceptico em relacao a bolo de chocolate com piripiri. Quando cheguei a casa disse-lhe que queria fazer um doce e perguntei-lhe: “preferes bolo de chocolate com piripir… “, e fui interrompida pelo seu: “o que?! chocolate com piriri? nao!” e continuei a minha questao”… mousse de chocolate com piripiri… “, outra vez interrompida para ouvir “mmm, talvez o bolo seja bom” e nao tive tempo de acabar a questao que seria”… ou claras em castelo com doce de ovos no forno?”. O resultado foi um bolo bastante consistente, que cresceu muito pouco e que estava pouco doce como se queria mas que se queria mais picante. E com moral da estoria: “para a proxima segue a receita original do bolo de chocolate e nao te ponhas com invencoes!”