A primavera vem duas vezes

Preparava-me, no jardim, para arrancar os pés secos das favas, quando reparo que por baixo nasce um novo pé. Deixei-os florir e apanhei esta segunda dose inesperada e menor de favas. Como um arco-íris e sua réplica num dia de chuva.
Com vontade de fazer algo mais fresco que a receita clássica, peguei na salada de grão escondida neste post e adaptei-a às favas. Cozi-as em vapor na panela de pressão e temperei-as com cebola roxa picadinha, coentros, azeite, vinagre, flor de sal e pimenta. E foi um ver se t´avias.

curgete – meatless monday

O que fazer com 3 curgetes de 2 kilos cada? Foi o que trouxe hoje do jardim, mais uma barrigada de cerejas.

Dei uma à minha vizinha da horta, ela deu-me ideias de como “esconder” a curgete das crianças e disse: “temos que comer o que há!”. É daquelas verdades. Mas eu hoje não quis esconder a nossa primeira curgete. Virei-lhe todos os holofotes, exacerbando a sua simplicidade. Cortei-a em fatias grossas e fritei-as em azeite. Depois, temperei com sumo de limão e flor de sal.

Na mesa: A minha filha mais velha diz que não quer com voz enjoada e a mais nova imita a irmã sem perceber sequer o que está a dizer. A refeição chega ao fim e apesar dos exagerados “mmm, que bom” que eu insisti em dizer, nada as demove. No fim, a minha filha quer sobremesa. “Sem teres acabado de comer tudo?!?!”. “Prova só, sabe a bife.”, “e podes por sal e limão”. Assentiu, pedindo a fatia mais pequena. Flor de sal. Limão. Comeu e eu perguntei: “Então, sabe a bife grelhado ou não sabe??”. Ela confirmou e pediu outra fatia, a maior. A minha filha mais nova disse: “I au, a maió!!”, e dei-lhe a outra fatia.  Mas, apesar da vontade de imitar a irmã mais velha, a fatia de curgete a saber a bife não entrou no portão, nem com a irmã a dizer “olha o aviãozinho”. 

Grünkohl é a (minha) nova couve galega

Hoje, o post é especialmente dedicado à comunidade portuguesa em terras prussianas, que sofre com as saudades do belo caldo verde. Quando o inverno se instala e a terra nos dá as típicas couves de inverno, Grünkohl a minha favorita, o caldo verde é presença constante na nossa mesa. Cozo na panela de pressão as batatas e uma cebola em bastante água com um chouriço e as couves cortadas o mais fino possível e cozinhadas a vapor, também na panela de pressão. Ao primeiro apito, desligo o fogão e separo couves e chouriço das batatas, que trituro. Corto o chouriço e volto a misturar tudo. É agora a minha sopa favorita e satisfaz também o resto da família.

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Mas, hoje é meatless monday, por isso o chouriço está fora de questão. Não, caro leitor, não sou apologista de que o chouriço não é carne! Se bem que…, mas bom, hoje, meatless monday, com o frigorífico cheio desta parente prussiana da couve galega, e estando o caldo verde tal como o descrevi fora de questão, questionei-me como cozinharia a couve. Não perguntei à minha filha o que queria para o jantar por saber que a resposta era “espargueeeeete!!” e decidi antecipar-me à sua vontade.

Quanto às couves, cozinhei-as como se fossem espinafre e fiz um esparregado. Fritei 5 dentes de alho e uma cebola em azeite e, quando a cebola ficou transparente, juntei as couves rasgadas em pedacinhos. Deixei-as cozinhar durante certa de 20 minutos e, de vez em quando, juntei alguma água da cozedura do esparguete, para não secar demasiado. Temperei com sal e pimenta.

No fim, juntei, sumo de um limão e mais um gole de azeite e misturei bem. Na mesa, a minha princesa disse: “Oh, esparguete! obrigada, mamã!”. A minha princesinha, que só queria o esparguete, rendeu-se à couve quando lhe dei meio limão para ela espremer no seu prato.

Spaghetti Aglio-gatinho – ano IV

Foi no passado sábado que o Reino da Prússia comemorou 4 anos. Nada como um aniversário para fazer o balanço do ano. Mas na verdade, este ano, não há muito a “balancear”, dada a escassez de artigos. Gostava de dizer que o próximo ano é que vai ser, no ano V vou publicar frequentemente. Mas, apesar de temer que a frequência se mantenha, para manter também é a rubrica “Meatless Monday”. No entanto, hoje, apesar de ser segunda feira e porque é dia de festa, para o jantar temos esparguete com camarões, para satisfazer o desejo da princesa do meu reino no seu dia de aniversário. 

Comecei por cozer o esparguete em água fervente. Usei camarão tigre congelado, cerca de 400 gr. Fritei 5 dentes de alho em azeite e juntei os camarões já (semi-) descongelados e salsa picada por escassos minutos. Mas as tigrezas afinal de tigre não tinham nada e, assim que se viram no calor do fogão, reduziram-se a pequenos gatinhos. Só faltou o “miau”. Mas satisfez o desejo da minha princesa no seu dia de aniversário e era essa a minha intenção. Quanto à princesinha, apesar do fascínio por gatos, mordeu e cuspiu, mas o esparguete escorregou.

Lazy breakfast

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As férias estão a chegar. Asfixiada por prussianos – e, por isso, improváveis – 40ºC, sinto que o Alentejo tomou a Prússia. Fecho as persianas, abro os vidros na esperança vã de uma leve aragem e, ao fim de semana, entrego-me ao deleite de uma longa sesta – que desejo tão longa quanto durar a hora de calor. Mas, loucura das loucuras, deixo-me cair na tentação de ligar o forno para enriquecer o pequeno almoço, longo, tardio, preguiçoso. O forno lá fora já está ligado. Mais um, cá dentro, não fará diferença. Derretido por 100, derretido por 1000. Pelo prazer de bruschettas a abrir a mais importante refeição do dia. 

Comecei por cortar dois tomates em pedacinhos miudinhos e temperei com salsa e 1 dente de alho muito picado. Sal e pimenta. Por cima de pãezinhos diversos cortados a meio e temperados com um fio de azeite, dispus o tomate, e por cima uma fatia de queijo. O meu favorito: Gouda de cabra. Foi a forno quente a 180 até o queijo adquirir a consistência e cor desejada. Do forno para a mesa, brilhou num pequeno almoço de fim de semana com outros actores também de grande calibre.

Sopa de pastinaca

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Nada como a sopa para combater o frio que cai nos dias. Esta sopa, com pastinaca e queijo curado dos Alpes é uma boa surpresa. É quente e suave, é doce e forte. Gostei especialmente do contraste entre o sabor forte do queijo e a doçura e suavidade da pastinaca.

Tudo ao mesmo tempo na panela de pressão: uma pastinaca grande, 1 batata, uma cebola, a parte branca do alho francês e uma mão cheia de arroz. Depois de cozido, triturar, temperar com sal e pimenta e, no prato, polvilhar com o queijo ralado, salsa picado e um fio de azeite.

O peixe da prússia pouco presta para primoroso palato português

Comprar peixe aqui na Prússia é sempre um problema. Quando me aproximo das raras bancas de peixe, lembro-me sempre das lotas do Algarve e só me apetece é fugir dali. Das últimas vezes que comprei peixe, escolhi bacalhau fresco. Da primeira vez comprei filetes, que fiz no forno em cama de legumes, temperado com limão e pimenta e no fim ralei parmesão e levei mais uns minutos ao forno para tostar. Teria ficado muito bom se o peixe não soubesse a re-descongelado… Da segunda vez, comprei meio bacalhau, mas desta vez perguntei se era fresco, se já tinha sido congelado, de onde vinha e quando chegou. As respostas da senhora atrás do balcão deixaram-me uma réstia de esperança. Pensei em fazê-lo simplesmente cozido com legumes e temperado com azeite e limão. Pus o peixe a cozer e comecei a duvidar das afirmações da senhora sobre a frescura do peixe… então decidi fazer duas saladas: uma, com as batatas e cenouras cozidas, a que juntei um pepino, temperei com muitos oregãos, azeite e vinagre. Outra, com o peixe desfeito em lascas, que temperei com muito limão, um alho bem picado, poejos frescos, azeite e pimenta. A primeira salada é uma variação de uma salada muito comum no Algarve (com batatas, tomate, cebola, oregãos, azeite e vinagre), que eu simplesmente adoro, especialmente quando o tempo começa a aquecer. E a salada de peixe ficou deliciosa. A repetir, algures à beira mar. Porque descobri que peixe na prússia é douradinhos.