(*Meatless Monday*) na fava

1. Semeámos favas no jardim comunitário. Na comunidade prussiana, esta vagem gerou burburinho. Tal, que nos chegou aos ouvidos que as nossas favas eram soja! Ighh! <Rewind>:  ontem, foi o dia de colher os primeiros frutos e foi com alegria que trouxemos para casa uma (pequena) mão cheia destas vagens que são viagens a Portugal.

Mas, neste caso, traçou o meu marido um caminho imaginário até à Índia com a fava. Tendo sido ele mais rápido que eu, cheguei a tempo apenas de rectificar os temperos e era então tarde demais. Consumara-se a heresia. Lá estavam as minhas pequenas favas, desfeitas, entre batatas e caril.

Acreditando numa certa transmissão do meu pensamento até às suas acções, enquanto ele cozinhava, alinhei-me mentalmente na fava e na cozinha e previ um alho frito em azeite, as favas ali suadas e temperadas com hortelã e rama de cebola. Saíu uma carilada e, rompendo com as minhas expectativas, estava boa.

2. Não consigo contornar esta minha compulsão em fazer experiências culinárias quando temos convidados. Da última vez, decidi fazer “falafel“. Sem receita.

Demolhei grão, cozi-o sob pressão, juntei caril e sementes de coentros. Triturei e juntei farinha até ficar com a consistência de argamassa. Fiz bolinhas do tamanho de nozes, panei em mais farinha e fritei em azeite quente. A primeira dose ficou em papa. A segunda, murcha. À terceira viagem, desisti da frigideira e pus as bolinhas no forno.

A emenda foi melhor que o soneto, mas longe do resultado que esperava. Servi com quark temperado com sal, pimenta, ervas aromáticas frescas e sumo de limão. “Estão murchas mas saborosas”, foi a apreciação final.

No dia seguinte, fui à biblioteca e trouxe um livro com receitas do mundo e lá estava o falafel que, nessa receita, era feito com grão demolhado, cru e triturado. Não sei se arriscarei esta versão.

3. E, finalmente, a sobremesa: durante o fim de semana, fiz com as minhas princesas um crumble de ruibarbo. Elas trataram da massa e eu do ruibarbo. Cortei-o em troços e cozinhei-o com três colheres de açúcar integral e um gole de extracto de baunilha, que não é mais que uma vagem raspada e fechada num frasco de vodka por um mês no escuro. Servi com iogurte de baunilha.

E foi assim que se fez hoje o meatless monday, recheado de desastres, onde até a própria fava foi à fava mas salvou-se milagrosamente a sobremesa.

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