Monte dos olivais

É um facto: as crianças têm um palato muito apurado. Por isso, rejeitam tudo o que tenha um sabor mais forte e menos doce. Às vezes, é complicado dar legumes, especialmente verdes, à minha filha. Da última vez, para contornar o facto, recorri ao outro sentido que também come e apelei à imaginação.

Fiz um refogado com cebola e alho francês. Juntei carne picada e deixei cozinhar, temperando com sal e pimenta. Cozi millet em caldo de legumes. Cozi bróculos, usando a técnica do Kuka: Mantive a couve intacta e coloquei-a de pé numa panela com dois ou três dedos de água.

Chamei a minha filha para almoçar e ela disse que não queria. Pedi-lhe para vir só ver o prato. Espalhei a carne picada por metade da área do prato fazendo montinhos e o millet pela outra metade. Em cada montinho, espetei um florete dos bróculos. Quando a minha filha chegou à mesa, apontei para o prato e disse: “Aqui é a terra, aqui estão as árvores e ali é a praia. Queres?”

O leitor não precisará adivinhar a resposta óbvia. Nem o estado do prato da pequenota no fim da refeição.

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5 thoughts on “Monte dos olivais

  1. Concordo contigo Sofia, por vezes só a apresentação do prato ou a história por detrás dele é o suficiente para cativar o paladar da pequenada, pois os olhos também comem!
    Espero que esteja tudo a correr bem por esses lados da Prússia, saudades desses reinos germânicos…
    Beijinho*

  2. 🙂 Legumes, pequenotes e as suas lutas são sobesamente conhecidas… tenho o mesmo problema com os meus, e sem dúvida é preciso recorrer de vez em quando a uma imaginação bastante fértil e a uma capacidade de camuflagem acima da média para que lhes consigamos dar qualquer coisa ainda que levemente aparentado com legumes!
    Tarefa árdua mas que de vez em quando colhe frutos.
    Beijinhos doces

  3. Fizeste-me lembrar aquele provérbio nacional que diz: Com papas e bolos, se enganam os tolos!…
    Na verdade, com as crianças e os seus “gostos e desgostos” temos de ter uma imaginação muito fértil. Mãe sabe!
    Como vai a sua gestação?
    Desejo-lhe um feliz Dia da Mãe. Bjs. Bombom

  4. Diversificar a apresentação. Aqui está a chave. Até a uma certa idade esta estratégia resulta. Depois eles crescem e temos de pensar em outras formas de contornar os gostos. Tenho dos filhos, um pré-adolescente, com 11 anos, e uma pequenita que fez agora 4. Tenho conseguido que comam legumes na sopa, por vezes sem que se apercebam, mas à parte nem sempre acontece uma refeição sem argumentos para os deixar no prato. Tem dias. O importante é não desistir e esperar que o nosso exemplo lhes sirva no futuro.
    Um abraço.
    Patrícia

  5. Boa noite, como vai?

    Já tenho vindo a acompanhar o seu blog… 

    Desculpe estar a incomodar. Apenas queria pedir que se torna-se seguidor no nosso site do Nariz à Boca e coloca-se o meu link no seu site. Poderemos fazer partilha de LINK’S. Coloque o meu link no seu site por favor.

    http://donarizaboca.blogspot.pt/

    Muito obrigado e continue a desfrutar do grande mundo dos vinhos.

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