Pergunte ao seu filho: e agora, o que vem para a panela?

Hoje, depois do almoço, dei por mim a pensar na razão que me leva a alimentar o Reino da Prússia. Tudo começou com uma receita de migas e sem grande esperança na longevidade do blogue. Vou registando receitas que não quero esquecer e partilhando estórias que vivemos na nossa cozinha. Acho que é esta partilha o combustível que mantém o Reino da Prússia. Partilho hoje convosco o que se passa nesta cozinha a Leste e, amanhã, poderão as minhas filhas saber com mais pormenor o que lhes ponho hoje no prato. Por isso, decidi hoje passar à frente de todas as entradas que estão em lista de espera para ser publicadas e partilhar o nosso almoço de hoje. Perguntei à minha filha o que queria para o almoço: arroz ou massa? massa, das pequeninas, e tirou o pacote de fusili do armário. Carne, peixe ou vegetariano? vetaiano sem molho com cáne. Tirei meio quilo de carne picada do congelador. E mais? Tomate não. Estes, mamã. E tirou o pacote de pistácios do armário. Despi-me de preconceitos e acedi. E mais? E estes – vieram pinhões, pevides e sementes de girassol. Lentilhas cor de laranja. Vamos por o sal que fizemos ontem, amor? – Ontem fizemos sal aromatizado com tomilho. Sim, eu ponho. Cuidado, já chega! Disse-lhe à segunda colher de chá. Eu pus à minha conta dois cebolos picados porque não tinha cebola e dois tomates secos, para perceber se esta negação ao tomate em que a minha pequerrucha tanto insiste é real ou ficção. E pus um quarto de pimento vermelho, que ela adora crú ou cozinhado. Nóni não, disse-me ela apontando para as cenouras. Perguntei se ela queria pôr cacau. Sim, que pergunta! Pus tudo a cozinhar ao mesmo tempo (excepto as massas) regado com um fio de azeite durante uns cinco ou dez minutos. Juntei bastante água a ferver e deitei os fusili. Foi para a mesa e ela portou-se como uma dama – mas rejeitou o tomate seco.  A mim soube-me a felicidade. Deixo o testemunho desta receita e deixo-lhe a si, caro leitor, a decisão de querer arriscar ou não. Esta combinação de ingredientes ou a pergunta ao seu filho.

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15 thoughts on “Pergunte ao seu filho: e agora, o que vem para a panela?

  1. Faço muitas vezes esse jogo e o resultado costuma ser bom 😉 A resposta normalmente é massa, peixe vermelho (salmão) sem cenouras (também) e com muito tomate cru a acompanhar ☺
    Temos promissores cozinheiros!

    • Vera,
      obrigada pelo comentario. Gostei muito de conhecer o teu blog, que nao conhecia.
      Engracado o teu filho tb gostar de massa. Nao sei qual e o efeito da massa nas criancas, mas a verdade e que a maior parte delas gosta!
      Sofia

  2. Afinal não é mania, a filhota não é dada a tomates. O ingrediente mais interessante foi o cacau, nem consigo imaginar o sabor. Este jogo é essencial para as crianças que comem menos bem 😉

    • Ameixinha,
      experimenta a misturar cacau com carne. um colega meu mexicano diz que é normal por cacau na carne. Eu gosto. Da um leve tom acre ao sabor final do prato e uma cor escura. Tb ha quem utilize alfarroba para fazer cabidela sem sangue. A Suzana do gourmets amadores tem uma receita bastante interessante de chilli com carne e cacau. Experimenta 🙂
      beijinhos
      Sofia

  3. Acho que a menina desta casa iria certamente fazer uma combinação interessante como essa… Sempre comeu bem e um pouco de tudo mas está na fase, penso, de rejeitar os alimentos pelas cores.. Adorava tomate, especialmente ao natural, e agora dispensa-o simplesmente. As cenouras salvam-se se estiverem bem disfarçadas, assim como outros vegetais. Já o menino, devora tudo.

    beijinho grande para ti e para as princesinhas desse reino 😉

    • Margarida
      A minha filha ja teve uma fase em que comia tudo, mas de vez em quando torna-se esquisita com um ou outro alimento. Dantes tb adorava tomate e agora nem disfarçando ela o come! Cenouras, so as come cruas! Ja tentei o truque das cores, fazendo risotto cor de rosa, a sua cor preferida do momento, mas nao resultou… o que resulta agora com ela e mesmo po-la a cozinhar comigo! 😉
      Um beijinho grande para os quatro
      Sofia

  4. Que fofura, Sofia! que bom que você decidiu passar essa receita à frente das outras e nos contar sobre a produção dessa incrivel parceria. ontem cozinhei para o meu filho, que ja é adulto e independente e cozinha para si. mas nunca cozinhamos juntos. um beijo!

  5. Fer,
    Para mim, e a melhor maneira de a entreter. Muitas vezes, quando eu estou a cozinhar, ela pergunta-me se me pode ajudar e se pode acrescentar açúcar, só para o comer à colher! 😉
    btw: fiz o teu bolo de limão e cardamomo que esta no chucrute e adorei! obrigada pela partilha!
    beijinhos
    Sofia

  6. Com essa super ajuda, a refeição só podia ter ficado uma delícia!
    A minha neta também começou assim, a ser solicitada desde pequena e hoje com 10 anitos, já faz coisas bem engraçadas na cozinha. E também sempre gostou muito de massas. Aos fusilli chamava “coisas mochas”, nunca percebemos porquê!
    Gostei da ideia de juntar cacau à carne, que me parece bem original e nunca provei. Mais uma para experimentar!
    Bjs. Bombom

    • Bombom,
      ainda ontem a pequenota me esteve a “ajudar” a tender massa! Espero que estes tempos que passamos juntas na cozinha a levem a cozinhar criativamente quando tiver que o fazer por necessidade!
      Beijinhos
      Sofia

  7. Sofia,
    Como n consigo seguir os teus feeds, vou recebendo as actualizações por e mail e acabo por me esquecer de vir aqui. Eu gostei imenso deste post, quando imagino como seria se tivesse tido filhos, é na cozinha que me vejo com os mini me. Assim como sou, tenho a minha gata Willow a pedir leite (tem um pacote para ela sem lactose), um gato que quer comida fresca cada vez que entramos na cozinha, e um viking para alimentar.
    E não podendo perguntar aos meninos que ingredientes usar, tentei “jogar” com o marido, e claro que não resultou e eu me enchi de nervos, pq ele n é capaz de escolher nada!
    Este é um homem que demora uma infinidade de tempo a escolher que cerveja quer beber, e depois de eu ter chegado ao desespero de lhe dizer ” ao menos diz se queres carne ou peixe!”, acabei por perceber que teria tido mais sucesso se tivesse jogado com o meu gato Lestat e sugeri ao viking que fosse pôr música e buscar a garrafa de martini bianco (tenho de lhe dizer a cor ou é mais meia hora), que é como quem o manda desaparecer da minha cozinha.
    Melhor sorte para a próxima!!

    bjs

  8. Ana,
    Mas olha q este jogo com crianças pode ser arriscado! Desta vez correu bem. A minha filha pede-me muitas vezes noodles com molho cor de rosa, mas acaba por nunca o comer, pelo sabor forte da beterraba que uso para conferir a cor.
    Beijinhos
    Sofia

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