Quem não tem cão, caça com gato.

E quem não tem sequer o gato, como é que faz?? Foi assim que me senti quando quis fazer estas bolachinhas deliciosas da Pipoka. Revi a lista de ingredientes e, sem olhar para o armário, pedi ao meu marido para passar pelo supermercado e trazer o que faltava. E ele trouxe. Parmesão, yogurte, manteiga. Nesse mesmo dia, dispus-me a pôr mãos à obra, mas o cansaço ou a preguiça, não sei, dominou-me, então deixei para o dia seguinte. No serão do dia seguinte, arregacei mangas. Tirei os ingredientes do frigorífico, fui buscar oregãos para fazer a vez do tomilho limão, e dirigi-me ao armário dos secos. Abri a porta e procurei pela farinha. O meu armário é uma concentração de caos, então não estranhei não ter encontrado à primeira. Mas depois de bem procurar, tive que assimilar a dura verdade de que não tinha farinha! E agora? Como poderia substituir este ingrediente essencial na confecção das bolachas? A ideia de esperar pelo dia seguinte não se pôs sequer, pois a necessidade de dar uma dentada nestas bolachas era dilacerante. Perante a falta de soluções ao olhar o problema de frente, decidi confrontá-lo por trás e comecei a pensar que, não tendo eu farinha, o que teria na minha cozinha com farinha?? Olhei à minha volta e vi uma carcaça seca. Os meus olhos aguçaram. Ali estava a minha fonte de farinha. Agora, tinha pela frente uma reverse engineering task. Afinal aquela carcaça, nos seus elementos constituintes, não era mais que água e farinha e sendo ela bem seca, restava pouco mais que farinha. Tratei de transformá-la em pó. Misturei o parmesão, o yogurte e os oregãos e formei uma massa. Confesso que já não olhei às quantidades, garanti apenas que a massa ficasse coesa. No dia seguinte, vieram uns amigos e servia esta bolachas com tapenade de azeitona, e foram apreciadas.

Mas eu sabia que esta estória das bolachas de parmesão não poderia ficar por aqui. Já tinha decidido fazer as bolachas com farinha. Tempos depois, deu-se a oportunidade. Juntei 250 g de farinha com 100 g de manteiga e 100 mL de yogurte natural e sal. Ralei  60 g de parmesão ralado, que juntei com oregãos secos à mistura anterior. Pus no congelador cerca de 10 minutos, porque não podia esperar os 30 min de frigorífico aconselhados. Estendi a massa o mais fino possível e cortei as bolachas. Pu-las em papel próprio para ir a forno, e aí ficaram, cerca de 10 minutos a 200 graus. Deixar arrefecer é que não foi tarefa fácil, pois ficaram deliciosas, combinando especialmente bem com tapenade, como a Pipoka sugere!

Por fim, deixo um conselho aos meus caros leitores: experimentem, mas verifiquem se têm farinha em casa antes de lançarem à empreitada!

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11 thoughts on “Quem não tem cão, caça com gato.

  1. Essas bolachinhas crocantes, são uma tentação! Apreciei muito a tua imaginação para transformares a carcaça em farinha, he,he! Já te estava a ver na cozinha ou no laboratório a fazer a análise dos ingredientes e a separá-los cuidadosamente! Já me tem acontecido ficar “pendurada” por me faltar um ingrediente e fico mesmo frustrada!Parabéns pela iniciativa! Bjs. Bombom

  2. Sofia, assim é que é, uma mulher nunca se atrapalha….ou quase nunca, e apesar de não ficarem iguais às originais, ninguém reclamou.
    Um beijinho
    Gisela

  3. O que vale é que tens muito imaginação para refazer as receitas quando tens um ingrediente a menos. Antes assim do que ficares frustrada por não concretizares a ideia.
    E já agora têm um óptimo aspecto das duas maneiras:) e acho que é uma sugestão a seguir.
    Bjs*

  4. Sofia, não ter os ingredientes é o pão nosso de cada dia aqui em casa… mas acabo sempre por fazer como tu … inventar =)
    Achei um máximo a ideia do papo seco. Visualizei te de imediato numa cozinha enorme com uma olha no meio com tubos de ensaios e pipetas e no meio uma 1,2,3 industrial e velhinha a “desfazer” o pão e a “sair” farinha =)
    Estão lindos os teus biscoitos. beijinhos

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