Alfarrobinhas

Ou: um caso de sucesso na cozinha com mãe e filha. Andava hoje a minha filha a mexer nos seus utensílios de cozinha, com um ar um pouco aborrecido, quando retirou umas forminhas para bolo e me disse: “bolhô!” perguntei-lhe se queria fazer um bolo, ao que assentiu, então lembrei-me que já andava há algum tempo a pensar adaptar esta receita das piadinhas da minha Avó, usando farinha de alfarroba. Rapidamente lhe pus o avental e dei-lhe uma taça, uma colher de sopa e o frasco da farinha. Disse-lhe para pôr a farinha na taça e contei nove colheres enquanto ela, compenetrada na sua função, retirava a farinha e a punha na taça. Juntei uma colher de sopa de farinha de alfarroba. Troquei o frasco da farinha pelo frasco do açúcar e contei as seis colheres que seguiram o mesmo caminho. Dei-lhe um pacotinho de 8 g de açúcar baunilhado e ela adicionou à mistura de secos. Parti um ovo e a minha filha começou a mexer a massa. Virei as costas para ir buscar o óleo e ouço “mmmmm… mmmmm…”. Voltei à minha posição original e vejo a pequerrucha sorridente e com as marcas da massa na sua boca. Pus óleo na sua colher de sopa por cinco vezes e mexemos as duas a massa. Juntei a raspa de um limão e sumo de meio, canela e uma mão cheia de avelã moída. No tabuleiro do forno, pus papel vegetal e, da massa,  comecei a fazer bolinhas do tamanho de uma noz, que achatei. A minha filha pegou nas bolinhas e começou a dividir a massa em bocadinhos e a espalhar pelo chão da cozinha. Aqui compreendi que, para esta estória ser um caso de sucesso entre mãe e filha na cozinha, tinha que resumir o processo o mais rápido possível. Dei-lhe um bocadinho da massa para ela brincar e rapidamente fiz o resto das bolinhas. Pus no forno a 150 graus. Aos 10 minutos, fui verificar e ainda estavam muito moles. Entre os 10 e os 15, ficaram sequinhas por fora e húmidas por dentro. Quando arrefeceram, partilhámos uma alfarrobinha e compreendi o “mmmm… ” da minha filha ao provar a massa.

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11 thoughts on “Alfarrobinhas

  1. Adorei!!
    Não há nada melhor do que cozinhar com as nossas crianças, só de ver o ar de felicidade deles vale tudo!
    beijos

    • 🙂 é verdade, Gisela! quando as coisas correm bem, é mesmo um prazer… quando não correm e os ingredientes se espalham pelo chão, paredes, roupa e cabelo, é também um grande prazer para eles! E para nós é uma boa desculpa para ensiná-los que, o que vai para o chão, tem que sair! 😉

  2. também gosto disso 🙂 e a minha farinha de alfarroba ainda está por usar.
    Quando os meus sobrinhos eram pequenos era a única forma que eu tinha de os entreter e manter sossegados era levá-los para a cozinha para fazerem bolinhos.

    • Moira, levar os miudos para a cozinha e terapeutico para miudos e para graudos!
      ontem voltei a fazer um bolo de chocolate p uns amigos e a minha filha queria, QUERIA, fazer tambem. Tinha 2 opcoes: ou ficava a ouvi-la chorar ou cooperava com ela e deixava-a mexer a massa. A escolha e obvia! 🙂 e o bolo ficou delicioso. A Pipoka tem mesmo razao, a minha pequerrucha tem mesmo mao p a cozinha! 😉
      bjs

  3. Já começo a ficar desconfiada de que quem tem mesmo mão para a cozinha e faz a maioria das receitas é a miúda… tens que lhe começar a dar mais créditos 😉

    Fora de brincadeiras, gosto muito de ler essas histórias… conheço tanta gente que está sempre a enxotar os miúdos da cozinha… não faças isto, não faças aquilo, não sujes, etc, etc, sobretudo às crianças do sexo masculino. E o mais engraçado é que nestas idades quer miúdos, quer miúdas adoram pôr a mão na massa. A cozinha seria terreno ideal para combater certos comportamentos machistas.

    bjs

    • Pois olha que tens razao, Pipoka. Ontem a minha filha voltou a meter a mao na massa, e saiu um bolo de chocolate delicioso, que de certeza que era capaz de por o melhor do mundo a um canto (se eu ja tivesse provado o Sr. famoso bolo, poderia confimar, assim so posso superlativizar o meu! 😉 ).
      Eu gosto de cozinhar com a minha filha, especialmente agora que ela ja nao deixa as paredes sujas de massa e o cabelo sujo de chocolate! E os “nao facas”, “nao sujes”, “nao la la la”, nao entram muito no meu vocabulario, a nao ser que se trate de algo perigoso. Ai o “nao” e redondo! Na cozinha ela tambem tem “no-go-areas”, como o fogao, etc. mas ja nem sequer tenta chegar perto!

      Mas olha que agora que os gastrosexuais comecam a aparecer na ribalta, ate esta na moda ter os homens na cozinha! 😉

      bjs

    • Ameixinha, quando eu era pequena e ia apanhar alfarroba, gostava de dar umas trincas na vagem. Mas o sabor e consistencia nao eram muito bons. “alfarrobava”, dizia a minha avo. Eu perguntava-me para que servia a alfarroba, ate que um dia li os ingredientes de um iogurte e la estava ela, a farinha de alfarroba, imagino que para dar consistencia. Mas doces com farinha de alfarroba so conheci alguns anos depois. E adoro! No outro dia fiz uns waffles de alfarroba e gostei muito (apesar de ter sido (quase) a unica a come-los! 😉 )
      bjs

  4. Quando leio as tuas histórias/receitas lembro-me dos meus filhos pequenos e fico a pensar que foi na cozinha onde passamos mais tempo juntos….bons tempos!
    A tua filha tem futuro, senão como chef ,será como artista , ou os 2 em simultâneo.
    Gosto imenso destas bolachinhas e vou-te contar um segredo: quando era pequena (uns 9 anos), tirava açúcar em cubos da cozinha da minha mãe, para trocar por alfarrobas da manjedoura do Castiço, o meu cavalo adorado, castanho de crina loura. Sim eu comia alfarrobas!
    Beijo

  5. Ola Helena,
    que engracada a tua estoria e do Castiço! 🙂
    eu nunca gostei muito de comer alfarrobas so por si, mas a minha avó do alentejo pedia-nos sempre para lhe trazermos as alfarrobas do algarve, que ela também gostava de as comer assim!
    O teu Castiço devia ser um lindo cavalo!…
    beijinhos
    Sofia

  6. Pingback: Para mim, cozinhar é… « No reino da Prússia

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