Bolo de chocolate em Sol Maior

Confesso que a minha aptidão para a música tem sido sempre constante desde que me conheço. A minha carreira musical resumiu-se à Educação Musical obrigatória no então Ciclo Preparatório e desde aí que o meu destino musical ficou traçado. Traçado, literalmente, ou melhor ainda, riscado, da possível lista de caminhos a seguir na vida. O meu sensível ouvido, que não suporta altas frequências nem baixas, que rejeita os sons de mais alta amplitude, revelou-se afinal um insensível se fosse para distinguir o Dó do Ré. Hoje em dia é lugar comum culpar os professores pelo insucesso dos alunos, mas não foi o meu caso. O meus professor de Educação Musical era competente, simpático, pedagógico e ciente das capacidades dos seus alunos. E sempre pronto a dar o seu feedback sobre o intelecto musical de cada alma cuja voz vibrava naquela sala de aula. Vibrava ou desafinava, como ele um dia notou: “estiveram todos afinados e no timing certo, excepto uma menina, que está lá atrás…”. disse ele num tom leve e disfarçando um sorriso. Pois esta “menina”, no alto dos seus 10 anos, sorriu, tentando disfarçar o escarlate que inundara as suas faces, e pensou qualquer coisa que agora já não me lembro. Talvez quanto tempo faltasse para acabar aquela aula. Ou que, apesar de desafinar, até achava graça àquelas aulas interactivas onde se podiam libertar as energias acumuladas através da voz sem ser mandado calar. Ou então, que era verdade, que o Professor tinha razão.  Mas eu adoro música. Ouvir um bom som pode operar milagres em mim. Há pouco tempo constatei que o meu ouvido continua insensível ao Dó e ao Ré, quando o meu marido reparou que os meus cantores favoritos têm letras profundas e tons monocórdicos. Bom, mas há quem tenha uma carreira musical mais preenchida que a minha. É o caso da minha cunhada, cuja professora de música, além de tocar piano, também detém uma excelente receita de um bolo de chocolate. Receita que agora partilho com a blogosfera em alto e bom som: são 300 g de chocolate que se derretem em 300 g de manteiga ou margarina; a 200 g de açúcar, juntam-se 5 ovos, 150 g de farinha, uma pitada de fermento e uma colher de sopa de amêndoa moída. Mexe-se tudo até obter uma mistura monocórdica de chocolate e, para dar outros sons a esta composição, esta Professora junta um Ré de canela, um Mi de noz moscada e um Fá de cravinho. Mas até aqui a minha preferência pelos tons monocórdicos se manifestou e mantive-me pelo Dó do chocolate. Bom, confesso, juntei alguns pózinhos de canela. E a medo, um cheiro de noz moscada, mas com o cravinho não me deram música. E confirmei, mais uma vez, a minha insensibilidade em distinguir o Dó do Ré, pois para além do chocolate, nada mais fazia falta naquele bolo…

(que foi a forno aquecido a 175 graus por 20 minutos e que não se quer que coza em demasia – o palito não deve vir seco)

8 thoughts on “Bolo de chocolate em Sol Maior

  1. Este bolo (que é música para os meus ouvidos) esteve quase, quase a ser feito este fim-de-semana, não fosse a quantidade inusitada de curgetes que “aterrou” na minha cozinha e que me obrigou a “corrigir a rota”.

    beijocas,

    • Pipoka, agora que falas em curgetes, se calhar um bolo de chocolate e curgete não era nada mau! já vi pela blogosfera bolos de curgete, com chocolate não me lembro.
      beijinhos

    • mmm, então fico impacientemente à espera da receita!
      hoje tb. tive que despachar umas quantas curgetes que estavam no frigorifico quase esquecidas!

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