“Pantanecas”

A minha sogra veio de visita e eu preparei um petisco para ela retemperar as forças depois da sua jornada. Pensei fazer um bolo de chocolate, mas depressa mudei de ideias, preferindo algo salgado. Quando pensei em salgados, pensei em pataniscas e foi com esta ideia que me dirigi à cozinha. Verifiquei os ingredientes: 2 ovos, meio litro de leite, 100 gr de farinha. Juntei o leite à farinha, mexi, bati os ovos e juntei tudo. Piquei bem fininho a parte verde de um alho francês, uma cebola roxa e 2 dentes de alho e juntei à massa. Temperei com salsa, pimenta, sal e oregãos frescos. Achei a massa líquida demais, mas ignorei a minha voz interior, pondo o óleo a aquecer. Ao óleo bem quente, fui pondo colheradas da massa, que rapidamente douraram. Virei-as e, quando ficaram bronzeadas dos dois lados, pu-las em papel absorvente e reguei-as com sumo de limão. Assim que arrefeceram o suficiente para não queimar, provei e gostei. Mas reparei que estavam a absorver muito óleo quando, a uma dada colherada, a massa comportou-se como uma panqueca em vez de ficar fofinha como as pataniscas. Pensando no colestrol, rejeitei a ideia de voltar a aquecer mais óleo e decidi fazer mini panquecas com o resto da massa das pataniscas. Juntei mais duas colheres de sopa de farinha, ralei gengibre para oferecer um travo fresco à fritura, mexi e voltei a por colheradas de massa na frigideira aderente quente, mas agora só com uma leve camada de gordura. Virei quando ficaram douradinhas de um lado e passei-as para o papel absorvente quando ficaram dos dois, regando-as também com sumo de limão. O meu marido entrou subrepticiamente na cozinha e surripiou umas quantas de uma vez. Quando lhe perguntei de quais gostou mais, se das pataniscas ou das pantanecas, ele mostrou algumas dúvidas e voltou a provar de uma e de outra. O seu verídicto final: “mmm, estas são boas, mas assim fofinhas também”. Foram à mesa com um chá de erva cidreira e hortelã pimenta. Eu gostei mais da versão panqueca das pataniscas, talvez por não ter tanto óleo e foram estas que ofereci à minha filha com salada de tomate e pepino. Ela enrolou as pantanecas como se crepes fossem, riu-se e comeu. A minha sogra também gostou e a verdade é que, horas depois, apenas uma pantaneca adormecia esquecida na travessa.

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