O pão que me trouxe a casa

O melhor das férias é chegar a casa, diz o poeta. Eu, depois de férias, preciso de deixar assentar o pó da estrada que caminhei, preciso de reencontrar a minha alma nos recantos do meu lar, nos sons, cheiros, nas luzes e na textura da minha casa, nas ruas que os meus pés já conhecem… este processo não acontece de um momento para o outro, nem com o arrumar da mala e o regar das plantas. Toma o seu tempo e para deixá-lo acontecer, nada como deixar-me meditar enquanto vou à cozinha e preparo algo. Enquanto comemos, a união da refeição devolve-nos o bocadinho da nossa alma que “ficou a tomar conta da casa”. Desta vez, preparei pão.

Juntei 600 gr de farinha de centeio, 200 gr de farinha de trigo e 200 gr de farinha de espelta (ou trigo vermelho). Às farinhas, juntei um pacote de fermento de padeiro seco, 4 colheres de chá de sal e outra com açúcar. Decidi espontanemante juntar uma mão cheia de sementes de linhaça e outra de flocos de aveia integral. Misturei tudo. Juntei 2 colheres de sopa de azeite e medi 550mL de água tépida. Ao juntar a água às farinhas não tentei sequer resistir em pôr as minhas mãos nesta massa e nem o poder da máquina de cozinha me fez resistir à tentação. Trabalhei a massa até a soltar do recipiente, fiz duas bolas, enfarinhei-as, embrulhei-as em film, tapei-as com um pano de cozinha, guardei dentro do forno e deixei-as repousar durante 30 minutos. Agora a receita dizia que era hora de dar umas sovas e açoites na massa. Mas decidi não usar as minhas mãos para este trabalho. Não tentei resistir ao poder da tecnologia e liguei a máquina de cozinha com o braço para massas de pão e deixei o “trabalhinho” para o braço mecânico, que resolveu a questão em 3 minutos. Voltei a embrulhar em film, tapar com pano de cozinha e resguardar no forno até que a massa dobrou o tamanho (c, 1 hora). Agora era hora de novamente passar a mão na massa, mas com suavidade e desta vez tomei eu conta do assunto. Esmurrei-a levemente e dei-lhe a forma que convinha para passar dentro de uma forma de bolo inglês. Mais uma vez, a massa precisou de descansar, desta vez tapada só com um pano de cozinha e por 45 min. Pincelei-a com água e, com uma faca, deixei-lhe as minhas marcas no que viria a ser a crosta de um pão forte, consistente e muuuito saboroso. Pus água num pirex, que foi ao forno, e pu-lo a 200 graus. Quando aqueceu, pus o pão no forno e a outra bola de massa no congelador. 15 minutos depois, baixei a temperatura para 180 graus e deixei o pão cozinhar até bronzear bem a sua crosta (c. 45 min).

O pão saíu fumegante do forno, a pedir manteiga na sua primeira fatia e, quando me sentei no sofá e dei a merecida trinca, já me tinha reconciliado com todos os meus bocadinhos de alma que decidiram não ir de férias.

4 thoughts on “O pão que me trouxe a casa

  1. Sofia,
    De todas as vezes que vou de férias para fora tenho essa mesma sensação, apesar de gostar de viajar chego a uma altura em que começo a sentir saudades do meu lar, da minha cama e da minha almofada. Sempre que atravesso a fronteira à chegada sinto uma necessidade incontornável de comer sopa à portuguesa com couves e feijões a flutuar num caldo inegualável 😉
    Quanto ao pão:
    Para mim fazer pão é pura magia, nada me dá mais prazer que recriar o “milagre” que é ainda hoje a base da alimentação a nível mundial, sempre que o faço fico a olhar pateticamente a janelinha do forno, hipnotizada a vê-lo crescer enquanto coze e o aroma pela casa… inebriante!
    E tudo isto continua a acontecer-me semana após semana, mês após mês, ano após ano.
    É tão gratificante fazer pão 🙂
    Beijinhos

  2. Sofia,

    Não sou muito dotada para o pão, embora o considere um alimento mágico, tal como tu e a Moira (que, ao contrário desta aprendiz manhosa, são 2 padeiras natas ;-)). De qualquer forma, socorrendo-me da máquina de pão, lá vou fazendo umas coisitas minimamente decentes e bem mais saudáveis do que o pão que se encontra à venda na maioria das padarias. Esta tua receita tem tudo o que eu gosto: centeio, espelta e sementes de linhaça.

    beijocas

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