Um segundo de felicidade eterna

Há aqueles que procuram a felicidade eterna, aquela que existe antes do tempo e do espaco e para lá destes. Aquela que não tem início nem fim, que é omnipresente mas que parece que ninguém consegue agarrar. Ninguém? Pois bem, hoje vou deixar aqui a receita para alcançar a felicidade eterna.

Imagine o leitor que está no meio do mar, a pairar qual moisés, com os dedos dos pés a chapinhar suavemente no ondular do mar. Olhe à sua volta. A norte, vê água. A sul, mais água. A Leste e a Oeste, o que vè? mais água. A sensação que o caro leitor experimenta é de infinito, pois nada consegue decifrar para lá do mar! Mas um pequeno exercício de reflexão mental, fá-lo chegar à seguinte brilhante conclusão: “epá, péra lá. o mar afinal são só gotas de água. mas muitas, juntinhas. como o deserto, também afinal são só grãos de areia. E nós, afinal que mais somos do grãos de areia na imensidão deste universo?” Aí está, caro leitor, chegamos ao ponto fulcral da questão e a resposta à premente pergunta é: somos significantes. grãos de areia, gotas de água, que não são mais que um infinitésimo de espaço, de tempo na imensidão e no vazio do infinito universo, mas que escondem uma eternidade em si. Uma eternidade, que comporta o infinito. Afinal, nós, graos de areia no universo, somos universos para outros graos de areia, significantes tal como nós.  Gerações e gerações de outros seres vivos coabitam em nós, numa só vida nossa, em perfeita harmonia! O tempo e o espaço não são iguais para todos, mas relativos à individualidade de cada ser. Bom, continuemos com o exercício, voltando ao meio do mar. Imagine o leitor, que esse mar infinito é a tal felicidade eterna. O leitor, culto e vivido, sabe que não ver nada para além do mar é uma ilusão. Existem mundos de mundos para lá do mar. E sabe também que o mar não é mais que muitas gotas de água. Tantas, que podem comportar vidas em si. Então imagine que uma gota de água é um momento de felicidade. Tal como o amor. E que maior felicidade trás o amor senão o poder de gerar vidas? (bom, o amor tb. trás muitas outras felicidades, afinal). O amor, que como o poeta disse, que seja infinito enquanto dura, o amor que se condensa num beijo, num beijo que não tem tempo nem espaço, um beijo que, no som de um só “schmac!” embarca em si o amor eterno. E de quantos beijos é feito o amor da tua vida, os beijos que se beijam, os beijos de um olhar, de um pensamento e …, bom fiquemos por aqui.

Afinal, é com as coisas simples da vida que se constrói a felidade. Por exemplo, um raio de sol reflectiu na janela do vizinho, entrou na minha janela e, matreiro, bateu-me na cara. mmm, que bom! Ou ainda melhor, a minha filha que disse água. Ou um café à beira mar a ver o pôr do sol e conversar sobre estas coisas da vida. E foi  inspirada em grandes cafés filosóficos que bebi à beira mar com o meu querido primo Tomané que construi esta divagação.

É mais um desses momentos de felicidade que vou partilhar aqui neste espaço. Tinha no frigorífico umas acelgas que de tão ignoradas, já gritavam por mim (no sentido figurado, claro) . Resolvi fazer migas de acelgas. Mais propriamente, Migas de Batatas e Acelgas. Cozinhei uma batata e um ramo destas couves (será que são couves ou um híbrido couve-alface??) em vapor. Esmigalhei a batata e miguei com uma faca as acelgas. Fritei uns dentes de alho em azeite, quando os alhos começaram a saltitar no azeite (a saltitar de felicidade, entenda-se), juntei a batata e as acelgas. Pus sal e pimenta, misturei, mas não mexi mais, para deixar a batata criar uma crostinha levemente dourada. Virei, para o mesmo efeito do outro lado. Pus no prato, sentei-me em frente à televisão e sorvi um momento de prazer imenso que vinha empacotado nestas “Migas de Batata e Acelgas”. Receita fácil, não é?

2 thoughts on “Um segundo de felicidade eterna

  1. É verdade Sofia, a felicidade está à nossa volta, em coisas tão simples como o sorriso de uma criança, um raio de sol na cara, no afecto de um ombro caloroso para encostar a cabeça… É um estado de espírito que nem todos sabem cultivar.
    É um privilégio que todos podemos conquistar se em vez de procurarmos lá longe, quase no inatingível, procurássemos mesmo ao nosso lado, no aqui e agora, vivido com o coração.
    Até o sabor das acelgas que também comi ontem, colhidas na horta do Poço Barreto, me fizeram lembrar a avó Deolinda e esboçar um sorriso, lembrando a felicidade que sentia, quando tinha 6 ou 7 anos e ela vinha passar uns dias a nossa casa. Esta também é saborosa, … a felicidade guardada na memória !…

  2. as avos – e as bisavos tambem – trazem muitos momentos de felicidade, vividos e recordados. E se as minhas acelgas fossem as do Poco Barreto, em vez de um momento de felicidade, tinha tido logo dois, com uma cajadada so! beijinhos!

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